Amor próprio

Saberás que se trata de amor próprio quando te olhares ao espelho e gostares daquilo que vês…

Será amor próprio quando a felicidade de encontrar naquele momento em que chegares a casa e te apeteça descansar naquele sofá acolhedor e tão simpático.

Amor próprio é cuidares de ti antes de tudo o resto.

É gostares de ti próprio todas as manhãs quando acordas de manhã.

É tão gratificante amar-nos sem complexos! Sermos felizes primeiro sem depender de ninguém mais…

Amor próprio é lutar pela nossa própria felicidade e compreender que nada resultará sem que exista auto cuidado primeiro.

Amar-nos a nós próprios e só depois aos outros…

 

Eu tenho amor próprio. ❤️

E tu?

Rita

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Fazer Escolhas…

Escolher. Um verbo tão assustador.

Tal como este verbo, também é assustador compreender que a vida está a avançar e que nós, humanos complicados e tão frágeis, nos sentimos encurralados sem saber muito bem o que escolher para as nossas vidas.

Possuir aquele medo intrínseco que nos paralisa e nos faz duvidar de nós próprios…

Paralisamos, porque  certas escolhas influenciam vidas e certas vidas acabam por depender de nós.

Fazemos escolhas porque nos encontramos a aprender, mas essas mesmas escolhas têm o poder de colocar a vida de outros nas nossas mãos. E são essas vidas que estarão na nossa consciência no fim de cada dia!

Como é difícil crescer….

Tão desafiador é frequentar um curso de saúde, de Enfermagem… Ter a plena noção de que as nossas escolhas vão ser cruciais para a vida de um ser humano, que merece o melhor cuidado do mundo.

Detesto ter de escolher, tal como detesto sentir-me assim, paralisada em mim mesma, sem saber como lidar com a vida que já está à minha espera!

Em certa altura da nossa vida, todos nós somos obrigados a fazer escolhas.

Cabe-nos a nós decidir corretamente.

Rita

Tão bom saber que existem pessoas com classe!

Gosto de perceber que apesar das distorções que este mundo tem sofrido ao longo dos anos, ainda existe gente com classe.

Gente da velha guarda, como eu costumo dizer!

Pessoas comuns, espalhadas pelos quatro cantos do mundo que valorizam a educação, o cuidado e a compaixão.

Meros mortais que cumprimentam com um bom dia e um sorriso largo, que olham diretamente nos olhos e demonstram educação.

Seres humanos raros mas que fazem o dia dos outros!

Gente de coração grande e de cavalheirismo!

Gente de verdade e de altruísmo!

Ter classe é intemporal, mas mesmo que não fosse…

Oh! Fica tão bem!

Rita

Itália

Pensar em Itália faz-me sorrir e muito!

Itália foi aquela aventura que se proporcionou num ambiente escolar mas que mudaria a minha vida para todo o sempre.

Viajar até um país tão recheado de História encheu-me a alma.

Fez-me compreender que até podem tirar a miúda da História mas não tiram a História da miúda.

Cheguei a chorar dentro do coliseu de Roma! Apaixonei-me ainda mais por História…

Imaginei-me a permanecer naquele recanto pacífico do mundo para todo o sempre.

Itália fez-me muito feliz!

Foram muito provavelmente, os melhores dias da minha vida!

A História caminhará sempre a nosso lado, mesmo quando parecer não existir nada a contar!!!

Rita

Ondas gigantes

Observei-as, majestosas e indomáveis. Estavam ali à distância de uma televisão. Uma simples televisão era o que me separava das ondas de um mar tão desejado de ser visto por mim…

Eram enormes, era o que pensava enquanto que em rodapé se podia ler:

ondas gigantes avistadas na Nazaré “

A certo momento, os meus olhos humedeceram-se e a minha alma contorceu-se um pouco mais. Era nitidamente Saudade, aquilo que eu estava a presenciar.

Nunca mais estive com o mar.

Nunca mais presenciei o rebentar das suas ondas.

Permaneço, apenas com certas lembranças, como um búzio que encontrei no areal, há muitas luas passadas.

Mantenho-me ancorada a memórias. Esperançosa de voltar em breve…

Ondas gigantes bonitas do meu país!!! ❤️🌊

Rita

Taizé

Taizé será sempre o lugar que me fez encontrar a minha fé perdida.

Taizé é o lugar mais bonito, pacífico e cheio de luz que pode existir neste planeta terra.

Taizé é a paz de espírito que nunca termina.

Taizé é a fonte que sossega a nossa sede.

Taizé é o refúgio que nos permite pensar, rezar e tentar escapar dos nossos problemas.

Taizé, é no meu entender, o paraíso esquecido na terra.

Taizé é partilha, simplicidade, felicidade!

Taizé é do bem.

Sinto falta de visitar Taizé. Sinto falta daquela semana de chá e de cânticos.

Sinto falta do silêncio vivido. Sinto falta da paz que tive e já não tenho.

Sinto falta.

Taizé traz a saudade que chega a sufocar…

Rita

A imponência de um olhar…

Foi dentro do autocarro do meio dia que me surpreendi realmente com aquele olhar!

Era  um olhar vazio. Longínquo e demasiado triste. Tenho quase a certeza que era um olhar dorido. Cheio de dor e desespero…

Fiquei presa naquele olhar durante demasiado tempo. A dada altura, os olhos impregnados de mistério cruzaram-se com os meus. Fiquei desconfortável mas quis continuar a olhar.

Desta vez o meu radar visual prendeu-se com as rugas expressivas sinónimas de longa idade e de lutas diárias. Eram rugas que acompanhavam a história daquele olhar carregado.

Perguntei-me, em pensamento, qual seria a luta que aquele velho senhor estaria a passar e também eu sofri por ele!

Rita

A gravidade de ver na Literatura um porto seguro…

Literatura. Um palavrão que é horrores para muitos e a paixão de minorias.

Literatura que aquece a alma e produz um efeito alucinante em quem a idolatra.

Manter um amor por uma área da sabedoria parece de loucos mas é essencialmente fruto de felicidade!

Num dia de frio, bem cedo, decidir entrar numa livraria já antiga e perder-nos nos mil e um livros ali presentes é, provavelmente, o melhor a ser feito.

Hoje, eu mesma fiz isso.

Entrei numa livraria com o pensamento já recorrente: ” Controla-te. Não és rica. Não podes gastar dinheiro à toa.”

Sorri muito enquanto folheava as folhas carregadas de vidas, histórias e passados.

Sei que saí. Comigo acabou por vir um livro. Tinha de ser.

A literatura caminha a meu lado, sempre.

Rita

Dinamarca ❤️

Sempre fui adepta de uma boa nostalgia. Aquele sentimento único que nos faz sentir saudade de momentos passados.

Hoje, alguém me lembrou da Dinamarca. E talvez tenha sido a melhor forma de iniciar este dia. Gosto de viajar. Gosto de me aventurar no desconhecido com apenas um mapa na mão. Gosto de me sentir livre. Gosto de deambular sem destino e observar a paisagem.E gosto de tudo isto devido à Dinamarca. Felizmente tenho anjos na minha vida que me proporcionam oportunidades de ouro. E a Dinamarca, foi isso mesmo! Foi uma grande oportunidade. Foi a minha primeira viagem significativa. Foi nessa viagem que a minha vida se cruzou pela primeira vez com os aviões e determinou o meu receio das aterragens.

A Dinamarca fortaleceu-me culturalmente, eu acho.

Conhecer a Dinamarca, foi muito bom. Ver as diferenças entre países. Verificar que tudo era extremamente calmo lá.

Fui à Dinamarca com um ser humano muito bonito. Gostei de cada dia, de cada momento.

Agradeço as oportunidades que tenho. Agradeço a quem me proporciona bons momentos, sorrisos.

Agora estou nostálgica.

A nostalgia é importante. Preserva os momentos da vida, dando-lhes significado.

Espero um dia poder regressar à Dinamarca.

Ou espero um dia regressar à calma que tinha na minha vida nessa altura!

Rita

A arte de descansar…

De certa forma, acabamos por necessitar daquele repouso nas nossas vidas. Aquele belo momento em que nos sentamos no nosso sofá, nos cobrimos com a nossa manta favorita e apenas respiramos fundo.

Descansar. É necessário descansar e repor a energia necessária para iniciar novas actividades.

Eu gosto de descansar. Gosto particularmente daqueles momentos em que não temos que fazer nada, simplesmente descansar o corpo e a alma.

São sábados, os dias de eleição para nos conectarmos com o nosso sofá e ficarmos eternamente a ler um bom livro, assistir a uma excelente série, ou simplesmente fechar os olhos e passar brevemente pelas brasas.

Descansar também é uma arte. E se é uma boa arte!

Porque na vida, não são apenas os dias de trabalho que importam mas sim os dias de descanso. Aqueles dias que nos permitem respirar bem fundo e repor energias…

Descansar! É tão bom e faz bem!!!

Rita

Ser pai ou ser um completo estranho!

Nunca gostei do facto de existirem, neste mundo, pessoas de tal forma desprezíveis que se esqueçam por completo das suas responsabilidades na vida.

Falo de pais. Quem escolhe ser pai de um novo ser, devia primeiro pensar se tem as habilidades necessárias para o ser. Não falo em posses económicas nem em questões materiais. Falo sim em afeto, amor, dedicação, presença!

Angustia-me saber que também eu, na minha existência de vida, passei por maus momentos, por causa deste assunto.

No meu entender, só considero alguém pai ou mãe quando estes estão presentes e dedicam o seu tempo às crianças, seus filhos.

Um ser humano que não fale, durante séculos, com os seus filhos, que não tenha a dignidade de perguntar por eles, por se fazer sentir. Quem não esteja a seu lado nos momentos mais importantes, para mim é um completo estranho. Um estranho que acaba por perder os seus direitos e por transformar o amor de outrora em ódio e em raiva.

Confunde-me extremamente saber que existem pessoas que só se preocupam com o seu próprio umbigo e desapontam os seus mais preciosos tesouros, os seus filhos.

Saber que alguém esquece que o amor é o presente mais sincero e profundo que qualquer criança deseja receber de um pai, não merece nada de bom na sua vida.

O divórcio afasta os pais  e inevitavelmente afasta também os filhos. O divórcio acaba com uma relação mas não acaba, supostamente, com o amor sentido entre pai e filho. Constato, que o que acontece demasiadas vezes, é que certos pais, que nem gostam assim tanto de o ser, usam o divórcio como uma desculpa farrapada para se livrarem dos filhos.

Primeiro começam por ser meses, depois anos, sem uma palavra de apoio, sem um sinal de amor. Começamos a questionar se o nosso pai estará vivo ou morto. Não temos noticias e portanto começamos a utilizar estratégias para esquecer a dor e seguir em frente. A dada altura, quando nos perguntam como está o Paizinho, sorrimos mas na nossa mente perturbada pela ausência, já não sentimos nenhum afeto nem nenhuma saudade. Deixa de existir, completamente.

Se um dia, esse ser desprezível decidir voltar e reivindicar os seus direitos de pai, nós vamos simplesmente explodir e com a maior raiva do mundo, dizer que para nós ele é um completo estranho. Que não nos faz falta. Que não é bem-vindo ali.

E assim, se constroem vidas desamparadas!

Rita

 

 

Isabel!

Se existe realmente algo bom em mudar de vida, é ter a capacidade de entender que a vida, por vezes, nos presenteia com momentos muito importantes e marcantes.

Pois bem, conhecer a Isabel foi das melhores coisas que me podiam ter acontecido!

Amante de cavalos e da beleza do campo.

É uma miúda de garra!

A Isabel, é uma miúda incrível, dona dos seus caracóis e de um sorriso cheio de luz e energia.

 

É uma condutora eespetacular e uma amiga que a vida me deu e eu pretendo preservar para todo o sempre.

É uma ouvinte maravilhosa e aconselha-me sempre com sinceridade e amizade.

Gosto muito dela!

Desejo-lhe o melhor. Espero tanto que tudo lhe corra bem. Tenho orgulho nela, na menina mulher que ela é!

Isabel! Tu sabes quem és e sabes bem o que vales…

Melhor “mãe” fictícia que a vida me deu!

Rita

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Último dia de outubro

Está frio. Um frio bastante considerável. Na rádio, oiço dizer que estão apenas 8° graus….

Acordo com uma neblina poderosa. Sem sol, sem sequer uma réstia de bom tempo. Ainda não chove.

Mais um mês que se completa. Como o tempo tem passado vorazmente por mim, por todos nós…

Resta desfrutar do tempo. Não ter medo de viver. Preservar momentos e criar novos também.

Que chegue novembro e que com ele venham boas novas e vitórias.

Adeus, outubro!

Vejo te para o ano!

Rita

A profundeza de um toque…

Hoje, como em tantos outros dias, observei aquele amor tão genuíno e verdadeiro no olhar de um casal de já alguma idade, que se deslocavam no mesmo comboio que eu. Muitas são as vezes que me deparo com a mesma situação, sempre tão perfeita. Perceber que apesar dos anos, o amor consegue manter-se íntegro… Perceber que aquele toque, aquele entrelaçar das mãos, o olhar ainda apaixonado… Perceber que o amor permanece.

Admiro estas pessoas, que continuam ativas e desejosas de continuar a conhecer um pouco mais do mundo. Admiro o amor que os casais mais velhos continuam a preservar tal e qual como no primeiro beijo.

A grandeza de um simples toque. Fico feliz de constatar que, de facto, existem finais felizes reais. Fico de coração cheio de testemunhar que o amor consegue ser tão poderoso e belo ao mesmo tempo.

Vi o olhar profundo e cheio de sentimento de uma mulher, de cabelo já grisalho e com as marcas expressivas de uma vida. Vi-a olhar para o marido e vi-o retribuir o gesto, dando-lhe a mão.

Pequenos gestos. Pequenos toques.

Pequenas diferenças que marcam uma vida pela positiva.

Hoje, testemunhei amor.

Aqueles amores de longa data. Aqueles amores intemporais!

Rita

 

Estou desiludida com o Ser Humano!

Por estes dias tenho lutado de frente com a intolerância e a impaciência estampada nas caras de pessoas próximas… E interrogo-me, como é possível alguém se deixar influenciar tanto por momentos não tão bons na vida. Pergunto-me, sem cessar, porque será que as pessoas à nossa volta tem a necessidade de descarregar as suas frustrações e crueldades para cima de nós. Porquê aquele ódio e aquela ignorância impregnados nos seus olhares cansados da vida e da sociedade à sua volta ?

Porquê? Porquê?

Constato, por estes dias cinzentos na minha alma, que as pessoas não se importam minimamente com os sentimentos dos outros. Não existe mais aquele cuidado de escolher as palavras a pronunciar. Não existe mais a compaixão e a tolerância. Não existe. Existem seres humanos infelizes com a vida, estagnados pelo caminho e com sonhos por cumprir. Existem pessoas que fazem uma tempestade num copo de água, e não se importam com as consequências dos seus atos irracionais.

Começo a acreditar verdadeiramente que a cada dia que passa, eu me desiludo ainda mais com o Ser Humano. 

Desiludo-me, porque ao contrário do que eu defendo, já ninguém tem aquele cuidado de dizer: ” Hoje, não estou muito bem.” ; ” Desculpa a forma como te falei” ; ” Não pretendia magoar-te”.

Não existe mais bom senso. Nem bondade nas palavras.

 

O mundo parece, cada vez mais,  um sítio cruel para se viver!

Rita

Liberdade

Escolhemos a nossa liberdade.

Aliás, é nossa até ao momento que deixa de ser de alguém mais. Escolhemos ser livres, mesmo quando não possuímos liberdade.

Somos o que somos, somos as escolhas que fazemos e as ações que realizamos. Somos a soma de momentos.

Eu escolho ser livre quando escolho um novo livro para ler. Escolho ser livre quando decido o que vestir ou que fazer.

Sou livre quando me aventuro pela praia deserta, no inverno. Sou livre quando decido caminhar pelas ruas de uma nova cidade só com um mapa na mão.

Gosto de me sentir livre.

Gostava que todos pudessem sentir-se assim, como eu me sinto.

A liberdade faz-nos mais bonitos e com as almas a irradiar uma luz forte.

A liberdade é tão preciosa. De tal forma, que só quando a perdemos é que lhe damos o real valor.

Ser livre.

É das melhores coisas do mundo!

Rita

 

Dia de sol

Está calor e céu bem azul, apesar da meteorologia nos dizer que estamos efetivamente no outono. Nem está um pouco de frio, para minha infelicidade…

Sou grande adepta daqueles dias repletos de um frio característico e de um vento fresco a esbater em mim enquanto caminho. Gosto de momentos invernais e outonais muito mais do que tudo o resto. Gosto de vestir aquelas roupas bem quentes e deliciar me com chocolate quente. Gosto tanto!

Podemos ir definitivamente para um outono sem falcatruas?

Ahaha

Eu agradecia!

Rita

 

Persistência!

Na vida, tem de existir um pouco de persistência. Tem de haver aquele esforço sobrehumano que nos possibilita continuar em frente mesmo quando o panorama é demasiado negativo.

Ser persistente é muito bom. Permite-nos continuar de forma íntegra numa concretização de objetivos.

Não é fácil ser persistente no mundo de hoje em dia. É um desafio enorme, até.

Costumo dizer: ” Coragem e persistência!”

E acho que é mesmo isto.

Coragem para esta vida e persistência para a viver…

Bom dia!

Rita

Desabafo de uma Segunda feira…

Mais um dia. Finalmente, está no seu fim! Um dia de muitas emoções, de fracassos, de pequenas vitórias…

Não foi um bom dia tal como não foi um mau dia. Foi apenas mais um. Mais um ciclo que se fecha, mais 24h da minha existência.

Estou cansada. Completamente cansada e sem a energia necessária de quem ainda tem muito que fazer.

Detesto segundas. É oficial. Tenho segundas feiras demasiado caóticas…

Consome-me toda a energia. Deixa-me um caco! Sair de um enorme dia de aulas, de provas, de sorrisos e de conversas cheias. Sair de tudo isso para entrar num autocarro. Ainda vou a caminho de “casa”. A noite está bonita na sua escuridão poderosa e temperatura mediana.

Os olhos estão cansados e o corpo a pedir um banho bem quente.

Amanhã será um novo dia.

Hei de estar preparada.

No meio disto tudo, nem boa noite disse!

“Boa noite”

Rita

Chorar

Chorar não é um ato feio, apesar daquilo que se possa pensar na maioria das vezes. Chorar é libertador, na minha modesta opinião. Por vezes, é necessário sentir o fim do mundo mesmo que isso não passe apenas de uma chuva torrencial lá fora, na rua.

Já me aconteceu, a mim. No meio do nada, permiti que as grossas lágrimas caíssem pelo meu rosto abaixo e me tirassem qualquer força ainda existente em mim. Dei por mim cansada de tudo. Cansada de suportar certas coisas, cansada de aceitar outras, simplesmente cansada.

E nesses momentos trágicos, só eu sei o quanto chorei e o quanto me doeu a mim, saber que aquelas lágrimas já deviam ter caído há tanto tempo atrás.

Não é uma vergonha, chorar. Não é. Chorar é das melhores formas que o ser humano tem de poder lavar a sua alma e seguir caminho.

Choramos porque não somos feitos de ferro. Somos simples seres humanos que também possuem as suas fragilidades e medos. Choramos porque as forças também acabam eventualmente e porque sentimos necessidade de exteriorizar sentimentos e emoções complexas.

Chorar é vulgarmente aquela ocasião em que o mundo está prestes a desabar em cima de nós e depois nós levantamos a cabeça, limpamos as lágrimas, respiramos fundo e continuamos o nosso dia como se nada se tivesse passado antes.

Chorar não é errado. Na minha sincera opinião, chorar é aquele verbo tempestuoso e que muitos receiam, é saber que estaremos acessíveis a todos os tipos de pensamentos e ações, é ter o conhecimento de que o mundo parece estar a acabar mas que na manhã seguinte estará um bonito céu azul.

Chorar. É tudo isto.

Rita

Ingratidão

Não consigo tolerar nem um pouco a ingratidão manifestada por certas pessoas. Não faz sequer sentido na minha cabeça. Infelizmente, nem sempre a vida se encontra do nosso lado, nem sempre os acontecimentos são positivos, e são alturas de grande aflição. É aflição, sim! Porque quando o mundo parece realmente contra nós, são as pessoas ao nosso redor que nos apoiam de tal forma que nos ajudam a recomeçar do zero. Ajuda! Sim, porque independentemente de qualquer que seja o motivo, recebemos ajuda. Ajuda das pessoas que se importam verdadeiramente comigo, contigo, com as pessoas que precisam.

E nós, no momento em que necessariamente necessitamos de ajuda, aceitamos como se essas pessoas fossem os super heróis das nossas vidas. Mas depois… Depois quando equilibras a tua vida e te sentes poderosa no mundo, esqueces quem te ajudou e deixas de saber tolerar e de agradecer. Nas nossas cabeças minúsculas e ingratas, acabamos por deixar de ter paciência.

Na verdade, o que ninguém constata é que se estamos onde estamos hoje é porque alguém nos ajudou. Alguém não desistiu de nós.

A ingratidão é tão feia. É tão desnecessária!

Vejo pessoas ingratas em meu redor e fico tão transtornada por ninguém ser grato por tudo aquilo que ganhou.

O mundo é um lugar perdido, cada vez mais….

Rita

Desalento

Esta manhã, dei por mim a observar puro desalento.

Desalento no olhar já envelhecido e sem a paciência de outrora de alguém muito próximo de mim.

Desalento. Nunca é bom existir desalento no olhar das pessoas. Não faz sentido. Não é justo.

O cansaço. A impaciência. Vi tudo isto naquele olhar… E doeu-me profundamente a alma, naquele momento. Constatei que nem sempre existe a força necessária para aceitar a vida. Nem sempre as pessoas conseguem ver o lado bom da sua existência.

O desalento é doloroso e masoquista.

Constato de forma profunda que nem sempre é facil. Não é fácil viver-se depois de tanto tempo, não é fácil manter a força de outra época, não é nada fácil aceitar que os anos passam por nós como folhas de outono e que tudo tem um tempo, tudo tem um momento.

Vi desalento e foi o pior que podia ter observado nesta manhã.

O desalento tira a energia de uma pessoa. O olhar torna-se triste e demasiado profundo, as palavras não fluem como antigamente.

Constata-se que os anos também pesam.

Foi desalento aquilo que vi.

E não gostei.

Rita

Compaixão

Compaixão.

Foi o que vi, naquele dia de outono, enquanto tentava concentrar a minha mente na aula que decorria. Vi compaixão no olhar profundo e terno daquele professor, vi bondade nas suas palavras ao mesmo tempo em que nos tentava mostrar a sua perspetiva de enfermagem.

Dei por mim, longe daquela sala de aula, longe de tudo, a imaginar claramente o quão árduo deve ser para as pessoas que recorrem aos cuidados de saúde. Dei por mim, a admirar a coragem de quem trabalha com pessoas e que as trata de forma correta, com compaixão e bondade.

Ter compaixão por outra pessoa é talvez das mais desafiadoras formas de comportamento. Ter compaixão é saber-nos colocar na situação do outro e não julgá-lo de início. Compaixão é um ato sincero de amor.

Durante aquela aula, pensei muito neste texto, na forma como organizaria as mil ideias que me invadiram naquela manhã. Neste momento, escrevo de alma lavada e com as ideias no sítio. Escrevo, com o profundo pensamento de que também eu, um dia, conseguirei cuidar dos outros com a mesma delicadeza e compaixão que vi, no olhar daquele ser humano, naquela manhã de outono.

Não custa nada de nada ser-se um bom ser humano.

Não custa ter paciência. Nem custa ter bondade. Não custa nada!

Todos devíamos fazer o esforço de entender que, um dia, também nós necessitaremos de cuidados, também nós precisaremos de alguém que cuide do nosso bem-estar.

É o que eu digo: este mundo está cheio de anjos da guarda e de super-heróis!

Onde existir bondade, existe de certeza absoluta vida!

Rita

 

Agradeço!

Agradeço a todos os anjos que cruzam os seus caminhos com o meu. Agradeço a anjos que não necessitam de asas. Agradeço do fundo do coração a todas aquelas pessoas que se dão um pouco mais aos outros. Aqueles que decidem ajudar. Aqueles que se importam, que tentam por tudo tornar os nossos dias melhores.

Tenho muitos anjos da guarda na minha vida, sempre tive e espero sempre vir a ter. Acredito que conhecemos pessoas sempre por um motivo ou razão.

Sou grata.

Ontem, depois de um dia cansativo e caótico. Ontem, em que eu simplesmente reclamava cansaço para não dar razão à minha mente atribulada, alguém se importou, tentou perceber o que se passava, esteve lá. Fui abraçada por um anjo sem asas de forma inesperada, não estava nada à espera … Mas ainda bem que recebi aquele abraço! Restaurou-me. Agradeço por ainda existirem seres humanos bondosos.

Agradeço!

Aceitar

Aceitar que nem sempre tudo correrá bem.

Saber aceitar que, por vezes, a tua pequena cabeça te vai trair e te deixará a pensar demasiado em coisas que nunca deverias pensar.

Aceitar que as lágrimas, eventualmente, cairão pelo teu rosto, enquanto acreditas verdadeiramente que o mundo está a acabar.

A tua mente vai trair-te. Sentirás que não tens capacidade para nada. Acreditarás que não vales nada de nada.

Vais sufocar nos teus próprios pensamentos obscuros. Acabarás por perder a confiança em ti mesmo.

Aceitar. Um verbo que nem sempre é acessível. Um verbo em que tens mesmo de respirar fundo.

Um verbo chato.

Eu aceito que a vida tem as suas adversidades. Aceito que nem sempre a felicidade estará presente. Aceito. Porém, não é fácil. Nada fácil.

“Respira fundo. Não é o fim do mundo.

Só parece!” 💪

Rita

Dia chuvoso

Hoje está a ser um daqueles dias em que estou realmente feliz. Tudo bem, sim, estou completamente encharcada em água e com um cabelo num estado deplorável devido a intensa chuva que se faz sentir.

Está frio. Muito vento e um céu muito nublado. Está um dia muito bom para mim. São dos meus dias favoritos.

Gosto muito de chuva. Gosto destes dias cheios da força da natureza.

Dias de outono, são bons. Mas estou a desejar que chegue o Inverno. Essa sim é a minha estação favorita!

Rita

Saudade

Neste exato momento em que escrevo sinto aquela saudade do que já não volta, de uma forma tão profunda que até sufoca a alma.

Saudade do passado. Saudades de momentos valiosos que só se mantém por força da memória. Saudades de quem já partiu, de quem já desistiu e de quem já não se importa. Saudades de ser criança. Saudades de não ter problemas. Saudades daquele passado que agora de longe parece bonito mas que na altura ideal não lhe demos o devido valor.

Saudades daquela felicidade instantânea… Saudades!

Resta-me olhar para trás e recordar. Tenho a clara perceção de que o passado de outrora já não volta. Nada volta. Aliás, voltar até volta. Volta a saudade de querer aquilo que já não podemos ter!

Escrevo, ao mesmo tempo que pela minha cabeça passam os mais singelos momentos recordados ao longo da minha ainda curta vida. Escrevo com o olhar molhado e com a alma num grande aperto.

As saudades têm um preço muito alto. Fazem doer. Trazem a emoção à superfície.

É uma daquelas formas entusiastas da vida nos pôr à prova. 

Rita

Tempestades

Tempestades? Gosto muito delas.

São aquela força indomável, aquele grito profundo da natureza a impor-se.

Gosto do vento sem fim e da trovoada lá no céu. Adoro ouvir a chuva intensa enquanto me enrolo numa manta quente no sofá lá de casa.

Admiro as ondas brutas e cruéis do mar, assinalando a sua presença e colocando o respeito em primeiro lugar .

Gosto da serenidade antes da tempestade, aquele momento único onde tudo parece ainda perfeito.

Gosto de acordar de manhã, no dia seguinte e observar que tudo está calmo e sereno. Um céu azul bonito e aquele frio característico de um outono que já se começa a sentir.

Tempestades? São o meu nome do meio.

Rita

Porto Seguro

Todos nós temos um porto seguro. Aquele sítio abençoado que nos recebe quando tudo o que queremos é desaparecer para sempre.

Todos buscamos a nossa paz interior e todos nós queremos recuperar a felicidade de outrora. Naqueles trágicos momentos em que a única coisa que sentimos é que o mundo se encontra contra nós, aquilo que mais desejamos é correr para o que nos faz felizes.

Qualquer coisa neste planeta pode ser o nosso porto seguro. Independentemente de todas as suas diferenças, existe algo que é comum a qualquer porto seguro: Segurança.

Sentimos-nos seguros e choramos sem plateia. Tal como rimos feitos os parvos. Um porto seguro é a escapatória perfeita para nos afastar-mos da civilização e da correria deste século onde vivemos. Fugimos em busca de paz, de silêncio ou de força.

A vida nem sempre é fácil. Os acontecimentos nem sempre são os melhores. As conversas com certas pessoas acabam de forma muito má. Não é nada fácil encontrar o equilíbrio para tudo isto. De tal forma, que todos nós acabamos, com o tempo, por procurar um sítio ou algo material que nos permita respirar fundo e não entrarmos num colapso nervoso.

O meu porto seguro será sempre o mar. Aquela força indomável possibilita-me recuperar a força perdida e a insanidade instalada. Não troco o meu porto seguro por nada deste mundo e só lamento estar demasiado longe daquilo que me transmite paz. Mas isto também faz parte do processo. De ser resiliente e continuar.

Que sejamos todos felizes, é o que mais desejo!

Rita

Sábado!

Mais um sábado. Um dia como todos os outros. Um dia de descanso ou então de trabalho. Um dia nulo ou um dia produtivo. Mais um dia. Mais um dia desta nossa vida. Mais um dia no meio de tantos outros. Mais 24 horas da nossa existência. Um sábado de outono mas com um sol ainda de verão. Um sábado completamente normal. Mais um sábado. Mais do mesmo.

Sábado sabe bem. Sabe bem porque se intitula de fim de semana. Sábado de sorrisos e de descanso porque se trabalhou uma semana inteira. Sábado de coração cheio porque se pode estar com os filhos e com aqueles que mais se ama. Sábado lamechas. Sábado de sofá e filmes para uma tarde inteira. Sábado de petiscos e de música ambiente. Mais um sábado para se respirar fundo e para recuperar energias para uma nova semana que se iniciará.

Sábado. ♥

Gosto de sábados!

Rita

Quarta feira

Vi o céu hoje. Um céu já preparado para receber um esplendoroso pôr do sol.

Um céu rasgado por mil e um trajetos aéreos. Um céu bonito, eu acho.

Depois de mais um dia. De mais cansaço acumulado. Depois de tudo. Limito-me a ouvir a minha música e a observar a bela paisagem.

Mais um dia que está prestes a chegar ao seu fim, é isto que penso quando me sento no banco desgastado do autocarro e respiro profundamente.

Mais um dia de stress. Mais um dia de batalhas árduas e desafiadoras. Mais um dia que completei com sucesso.

Por vezes, permito pensar que vai tudo correr mal. Por vezes, é fácil inventar um futuro negro….

Mas hoje, como quase sempre, penso apenas que foi mais um dia positivo e que tudo dará certo…

A vida é uma enorme interrogação. Nem sempre é fácil para mim entender a forma estranha como cada um comanda a vida, qual é o objetivo, qual é o sentido de tudo?

Mais uma quarta feira. Meio melancólica, meio estranha. Uma quarta feira onde penso em coisas que não devia pensar. Um dia em que me preocupo com todo o mundo! Mais um dia tão igual a todos os outros.

 

Rita

 

Caiu a noite.

Caiu a noite. Ainda era cedo. Os ponteiros marcavam as 20:00 h quando me deparei com uma já escuridão imensa. O escuro profundo deixava observar claramente as estrelas… Estava uma noite bonita.

Apesar do cansaço extremo do dia, ainda me obrigava a inspirar a noite e a continuar.

Perdida nos meus mil pensamentos e com a música lamechas impregnada nos meus ouvidos, foi assim que esperei por um autocarro que teimava em não aparecer.

Restava-me observar as estrelas, ver a correria dos carros a atravessar o meu ângulo de visão, tentar aproveitar o momento.

Sentia uma dor de cabeça bem incomodativa que me fazia raciocinar bem mais devagar.

Não estava a ser um bom final de dia.

O sossego traz-me, sempre, inevitavelmente, pensamentos distantes e duvidosos. Apetecia-me dormir. Fechar os olhos e simplesmente preparar-me psicologicamente para um amanhã tão duro.

O autocarro nunca aparecia a horas, pensava eu, já cansada de esperar.

A noite caiu.

E eu a observar tudo, num segundo plano. ♥️

“Lembranças”

“Ainda me ocorre pensar em ti. Continua a acontecer mesmo quando eu não pretendo que aconteça. O que posso fazer? Foram muitas memórias, lembranças que me transmitem alegria.

Hoje, cruzei o meu olhar com uma fotografia do mar, daquele mar a que costumo chamar de “Meu”, e de repente lá estava eu a lembrar-me de ti. Mais uma lembrança, porém esta não doeu. Lembrei-me, sorri, revivi um momento já antigo e tão longínquo que parece pertencente a outra vida, e continuei na minha rotina agitada.

Existiram ocasiões onde considerei as lembranças uma tortura. No presente, vejo-as como uma dádiva. Gratidão de poder lembrar o passado e sorrir.

Ainda guardo o presente que me ofereceste há tantas luas atrás. Guardo-o com carinho. Lembro-me da nossa amizade.

Lembro-me tão bem de tudo.

No entanto, por uma questão de sanidade mental, prefiro que tudo se mantenha no passado.

Ainda te lembro.

Acho que vou sempre lembrar… ”

 

Rita

Incêndios? Não!!!

Revolta-me. Revolta-me entender que continuam os incêndios em pleno mês de outubro. Instala-se uma tristeza em mim ao ver o meu querido país arder mais uma vez.

Não está certo. Nada disto está certo. O mais repugnante é que lá no fundo todos sabemos que estes fogos indomáveis são provocados. São fogos postos.

Mais um. Ninguém faz nada. Ninguém faz nada de nada! É tão revoltante!

Quem provoca incêndios não deve ter coração. Não deve entender a importância da nossa natureza. Do ar puro que é suposto respirarmos…

Incêndios malditos que colocam em perigo iminente os nossos heróis. Incêndios malditos que deixam o nosso povo sem nada. Incêndios malditos que roubam com crueldade a felicidade de uma vida!

Revolta-me!

50 anos de uma vida em comum

“Um amor para a vida toda.”

Foi o que ambos disseram, há 50 anos, naquela bonita igreja.

Um “sim” que se tem prolongado por um longo e bonito tempo.

Amor antigo. Amor daqueles amores que quase já nem existem. Um amor sincero e bonito.

Uma vida de comunhão e de alegrias. Uma vida de obstáculos e tristezas.

Uma vida de parceria e muito amor.

50 anos de tudo isto. 50 anos! Algo inacreditável! Emocionante, até!

É bom ver estes exemplos. Acreditar num amanhã melhor.

Que seja um amor para a vida toda!

Rita

O poder do silêncio

No meio da agitação inevitável de uma vida, busca-se o silêncio como um resgate.

Hoje, dei por mim a usufruir do silêncio e foi das melhores coisas que me podiam ter acontecido.

Considero o silêncio, uma ferramenta essencial para o bem estar físico e psicológico de cada um de nós.

Limpa a alma. Devolve aquela paz interior. Coloca um sorriso no rosto.

Para mim, ter estado em contacto com o silêncio e ter observado o rio, foi o melhor que me podia ter ocorrido no dia de hoje!

É tão bom descobrir e aventurar-nos pelo nosso país!

Rita

Desabafo de uma quinta feira menos fácil…

Não é fácil fazer planos e vê-los desaparecer num abrir e fechar de olhos.

É até deveras difícil encarar a vida daqueles que nos rodeiam. Encarar tudo e ter de respirar fundo e preferir o silêncio profundo e insaciável.

Pergunto-me, por vezes, como seria se tudo fosse diferente. Se a tolerância existisse, como seria a vida nos dias de hoje…

Lá está o caos a instalar-se confortavelmente em mim e nas minhas vivências.

Tento não ouvir nada e buscar um silêncio que teima em ser inalcançável.

Tento respirar fundo e entender que nem sempre as ocorrências de uma vida decorrem como nós gostaríamos que decorressem.

Chego até a imaginar como seria tudo se a vida não tivesse tomado este rumo.

Tento evitar alguns pensamentos menos bons que me levam a percorrer outras dimensões e outros momentos passados.

Chego a lamentar. Lamento que me troquem as voltas à vida sem sequer uma permissão. Lamento lamentar-me.

Às vezes, custa viver neste mundo!!!!

Rita

“Dona Laura”

Todas as manhãs, ao entrar no café da minha vida, me encontrava com aquela senhora já desgastada pelo tempo e de olhar longínquo e envelhecido. Admirava a sua coragem e determinação, de se deslocar todos os dias àquele típico café.

Num desses dias, fascinado pela delicadeza daquela misteriosa senhora, perguntei-lhe como se chamava. Essa respondeu-me que o seu nome era Laura.

Com o avançar dos dias, foi com ela que partilhei livros antigos e discuti literatura clássica.

Vi-a como uma avó que nunca tinha tido.

Naquele fatídico dia, não tive tempo de passar pelo café de manhã. “Tempo”, foi essa a minha justificação quando me chegou a notícia que a Dona Laura tinha falecido.

Sei que chorei muito. Senti-me até culpado por não ter estado lá. Afinal de contas, eu sou médico e não pude fazer nada.

No entanto, o dono do café insistiu em contrariar-me.

” O menino devolveu-lhe a alegria de uma vida! ”

Rita

Reflexão matinal…

Hoje, bem cedo, enquanto caminhava para mais um dia, ainda ensonada, dei por mim a observar o céu. Um céu ainda muito matinal rasgado, no entanto, por mil percursos de aviões. Num minuto, a minha mente viajou para longe, para um passado bonito. Passado esse onde tive o privilégio de poder viajar. Lembro-me como se tivesse sido ontem… A minha primeira viagem de avião! Guardo-a com muito carinho no meu coração.

Viajar é tão bom. É completamente libertador e fruto de uma felicidade máxima!

Apesar de muito ensonada, acabo a sorrir. Desejando um dia, ser eu, num daqueles aviões que cruzam os céus…

Retorno o meu caminho.

Volto à realidade.

Rita

 

Recordação salgada…

Lembro-me como se fosse ontem.

O dia estava cinzento e sem brilho, o sol não tinha sequer força para se mostrar. O céu estava demasiado nublado e a visibilidade era praticamente nula. Decidi caminhar. Vesti a camisola de Taizé, uma de tantas, e aventurei-me pelo areal da minha praia de eleição.

Caminhava, lentamente, ao ritmo das ondas indomáveis que se formavam junto a mim. O areal estava deserto. Uma praia quase só minha. Quase, sim. Dentro de água, os surfistas tentavam domar as repetidas ondas que se iam formando.

Ao passar do tempo e observando a força do meu mar, dei por mim nas mais singelas divagações. Tudo me veio à memória.

Desse dia já distante, guardei a lembrança da força terna com que as lágrimas invadiram o meu rosto. Guardei a paisagem bela. Guardei a paz que obtive.

Lembro-me como se fosse ontem. Estava um dia péssimo, mas mesmo assim, foi um dos dias mais bonitos de todo o ano.

Rita

Ribatejo, meu amor!

Nasci e fui criada no singelo coração do Ribatejo. Durante anos a fio ignorei este amor que permanecia na minha alma com uma força indomável. Hoje, no entanto, dou-lhe o devido valor.

O Ribatejo. O meu mais profundo refúgio. Terra de bons costumes, pessoas simpáticas e campos tão belos. O Ribatejo é a minha casa. Hoje sei que é a minha casa e orgulho-me disso. Porém, durante muito tempo e devido às rotinas e à acomodação de uma vida, não dei a devida importância ao significado “CASA”.

Nos dias de hoje, ao estudar longe de tudo aquilo que me viu crescer, caí na realidade. Ao retornar a casa, dentro de uma carruagem de um comboio cheio de gente, fixo o meu olhar naquela janela de vidro. Uma emoção bonita forma-se em mim e o olhar torna-se molhado de felicidade. Limito me a observar. A observar a lezíria poderosa e dona de si mesma. Campos verdejantes e o sol já baixo mas cheio de luz. Um sorriso bonito forma-se no meu rosto ao constatar que estou de volta. Volto ao que é meu por direito. Volto e a minha alma encontra paz. Encontro aquele reconforto quente de quem está no seu porto seguro, sã e salva.

Ribatejo, meu amor! Obrigada pelas tardes recheadas de bons momentos quando ia à Espiga com a família. Obrigada pelos finais de dia onde preenches os céus de um pôr de sol magnífico! Obrigada por seres o motivo do meu sorriso quando regresso!

 

Ribatejo! Como me orgulho de ser uma parte de ti!

Rita

Faz falta.

Faz falta. Faz tremenda falta aquela infância repleta de brincadeiras. Aqueles gelados com os amigos. Faz falta a sinceridade de outrora e a ingenuidade de criança. Faz falta não saber nada da vida. Faz falta. Como o passado faz tanta falta.

Faz falta os prolongados momentos. Faz falta a partilha de vivências. Faz falta a naturalidade como encarávamos a vida.

Faz falta aquelas pessoas incríveis que preenchiam, cada um à sua maneira, a tua vida e que, do nada, desapareceram. Faz falta. Eu sinto falta de ser criança, de não ter mil e uma responsabilidades. Sinto falta daqueles que saíram da minha vida e que eu sou demasiado cobarde para chamar de volta. Sinto falta de não saber identificar nenhum estúpido sentimento. Sinto falta de não sentir saudades daqueles que não merecem. Sinto falta de ser mais paciente. Sinto falta do meu eu antigo. Sinto falta de não saber nada de nada.

Tenho a minha alma completamente desfeita e revolta-me estar inspirada para escrever. Revolta-me saber que estas palavras só me saem da alma a esta velocidade porque estou zangada. Zangada e magoada. Magoada com tudo. Com coisas que vejo e não queria ter de ver. Detesto sentir falta de algo que nem sequer foi meu….

Pergunto-me porque será que o coração é tão indomável e idiota, ao mesmo tempo. 

 

Mar

A grandeza do mar apenas se equipara ao profundo carinho e amor que a minha alma nutre por ele.

O mar é o meu maior amigo. É a força mais indomável e a paisagem mais bela. É um contador de histórias e um suporte básico emocional.

Com o mar sou sempre muito feliz. Mais que tudo, sou grata. Grata por ter ao meu alcance um pedaço tão nobre e bonito da Natureza…

O mar já recebeu muitas das minhas mais dolorosas lágrimas e assistiu de frente a muitos dos meus sucessos. O mar já me ofereceu dias de verão incríveis e marés calmas bem como já me deu espetáculos arrepiantes e invernais. Gosto de água. Porém, gosto mais ainda de água salgada.

O mar é o meu destino de eleição, sem pensar sequer duas vezes. Junto ao mar eu consigo adquirir paz e bons momentos.

O mar, aquele pedaço indomável de ondas e com a força e beleza mais indescritíveis do mundo, já me fez pensar demasiado, já me fez relembrar bons momentos, já me deu alegrias…

O mar é onde me sinto mais completa.

O mar, é o melhor do mundo!

Rita